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Contador é investigado por fraude tributária em Pernambuco

Operação em Pernambuco apura fraude tributária e lavagem de dinheiro envolvendo contador, quatro pessoas e quatro empresas.

A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) deflagrou a Operação Pay Back para investigar um contador suspeito de envolvimento em fraude tributária e lavagem de dinheiro. A apuração começou a partir de elementos coletados ao longo de 2025 e resultou, em 10 de setembro, no cumprimento de medidas judiciais em Recife e Olinda, na Região Metropolitana do estado.

Segundo a PCPE, foram expedidos oito mandados de busca e apreensão domiciliar. As ações também incluíram o sequestro de bens e o bloqueio de ativos financeiros vinculados aos alvos da investigação. O objetivo das diligências é identificar a extensão do esquema e reunir provas relacionadas às supostas irregularidades tributárias e à forma como os recursos teriam sido movimentados.

De acordo com as autoridades, a investigação aponta que o profissional teria usado a relação de confiança mantida com empresas clientes para simular a quitação de obrigações fiscais. Nesse contexto, seriam apresentados aos proprietários documentos de pagamento que, conforme apurado, não teriam correspondência com recolhimentos efetivos aos cofres públicos.

Como funcionaria a fraude tributária atribuída ao contador

As informações reunidas até o momento indicam que o investigado teria apresentado comprovantes que, segundo a linha de apuração das autoridades, seriam falsificados ou alterados para criar a aparência de regularidade fiscal. Enquanto a empresa acreditava ter efetuado os pagamentos, os valores correspondentes aos tributos não teriam sido efetivamente recolhidos.

Um dos casos envolve uma empresa do setor de transportes. Conforme descrito por autoridades que acompanham a operação, o período em que o esquema teria ocorrido se estenderia por cerca de dois anos. Ainda segundo as apurações, haveria prejuízo superior a R$ 2 milhões associado à conduta atribuída ao investigado.

O entendimento da polícia é que a atuação não se limitaria à fraude em documentos. A apuração também considera que os ganhos obtidos com o suposto crime poderiam ser direcionados a outras atividades, incluindo compra e venda de veículos e negócios ligados ao comércio de sucata. Esses elementos são relevantes para avaliar a lógica do esquema e a possível tentativa de ocultar a origem dos recursos.

Empresas e movimentação de valores

A PCPE sustenta que existiria uma estrutura composta por empresas utilizadas para movimentar valores e dificultar a identificação da origem. A operação teve como alvos quatro pessoas e quatro empresas. Entre os negócios apontados estão uma empresa ligada à venda de veículos e consultoria, além de estabelecimentos voltados ao ramo de sucata.

Durante o cumprimento das medidas, agentes realizaram apreensões que incluíram uma arma de fogo e dois simulacros. O responsável pelo armamento foi autuado em flagrante. Além disso, parte dos investigados já havia sido mencionada em apurações anteriores com suspeitas de sonegação fiscal e receptação de materiais, com foco em metais e outros itens correlatos.

Segundo autoridades, o setor de sucata recebe acompanhamento mais próximo por envolver características que podem ser exploradas em esquemas de lavagem de dinheiro e fraudes fiscais. A investigação, nesse sentido, busca entender se as empresas utilizadas teriam papel central na conversão do suposto proveito da fraude em outras operações econômicas.

No âmbito da apuração, também há menção a levantamentos que apontariam, em termos gerais, a existência de valores elevados relacionados a possível sonegação. Um dos números divulgados pelos órgãos envolvidos indica um montante que alcançaria dezenas ou centenas de milhões, associado a um conjunto de empresas e processos administrativos tributários. As autoridades reforçam que esses dados fazem parte do trabalho de cruzamento de informações em andamento.

O coordenador do órgão responsável pela recuperação de ativos informou que os levantamentos incluem a análise de vínculos entre os investigados e diferentes empresas, obtidos a partir do cruzamento de dados financeiros levantados na investigação com informações de outras apurações. A operação também pretende avançar na recuperação de valores relacionados às irregularidades, inclusive aqueles que ainda não teriam sido abrangidos pelas determinações judiciais cumpridas na primeira fase.

Outro ponto ressaltado na investigação envolve o uso de certificado digital e o acesso a sistemas fiscais. A Secretaria da Fazenda de Pernambuco (Sefaz-PE) informou que o investigado teria utilizado credenciais associadas a certificado para consultar comunicações e informações de contribuintes nos ambientes de órgãos como a Receita Estadual e a Receita Federal, além de outros sistemas relevantes ao acompanhamento tributário.

Conforme descrito pela Sefaz-PE, esse acesso teria permitido ao contador simular o cumprimento das obrigações tributárias e, em seguida, informar aos proprietários que os pagamentos teriam sido realizados. Esse tipo de conduta, segundo as autoridades, impacta a transparência das rotinas fiscais e pode prejudicar a conformidade tributária das empresas.

A operação contou com assessoramento da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil e com apoio operacional da Diretoria de Operações Estratégicas da Sefaz-PE. Além disso, a Secretaria da Fazenda afirmou ter abordado contribuintes considerados envolvidos direta ou indiretamente na investigação, o que ajuda a ampliar a rede de informações necessárias para compreender os fluxos do suposto esquema.

As autoridades também indicaram que algumas empresas investigadas já haviam passado por fiscalizações anteriores. Nesses casos, processos administrativos tributários teriam sido encaminhados ao Ministério Público, que integra o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos. O cruzamento desses registros com dados obtidos na fase inicial ajudaria a localizar conexões e a direcionar os alvos da Operação Pay Back.

Para além da fase deflagrada, a apuração segue com verificação para identificar se outras empresas teriam sido vítimas do esquema. Esse é um aspecto central, já que fraudes envolvendo obrigações tributárias podem se repetir ao longo do tempo e atingir diferentes contribuintes quando há falhas de controle e ausência de validações internas.

Para empresas que utilizam serviços contábeis, o caso reforça a necessidade de conferir evidências de recolhimentos e manter processos de validação. Isso inclui acompanhar devolutivas e registros fiscais, checar consistência entre documentos apresentados e informações efetivamente registradas nos sistemas oficiais, além de estabelecer rotinas internas de auditoria.

Para profissionais da área, a investigação também chama atenção para boas práticas relacionadas ao uso de acessos e ao tratamento de informações sensíveis. A gestão responsável de credenciais e a aderência a processos de conformidade podem reduzir riscos de que ferramentas de trabalho sejam usadas para fins incompatíveis com a legislação.

Se você é gestor ou responsável tributário, acompanhe o andamento das apurações e revise seus fluxos internos para garantir que a empresa mantenha controle sobre as evidências dos pagamentos e sobre quem tem acesso às rotinas fiscais. Entre em contato com seu contador e solicite uma checagem de conformidade para prevenir inconsistências e proteger o caixa e a regularidade da sua empresa.

Fonte: Fonte: Contabeis