
Capital de giro: como se preparar para a CBS
Créditos tributários podem demorar a ser aproveitados. Veja como estimar o efeito da CBS no caixa e preparar sua empresa.
Capital de giro pode ficar mais pressionado com a nova dinâmica de aproveitamento de créditos da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo que integra a reforma tributária. Um levantamento estima que a espera pode chegar a 63 dias em situações de inadimplência do fornecedor, exigindo que empresas planejem melhor pagamentos, recebimentos e recursos disponíveis.
Como os créditos da CBS podem afetar o capital de giro
Na regra descrita para o novo modelo, o comprador poderá depender do recolhimento do tributo pelo fornecedor para aproveitar o crédito relacionado à compra. Crédito tributário é o valor que pode ser descontado de tributos devidos, de acordo com as regras aplicáveis. Se a empresa paga pela mercadoria ou serviço antes de conseguir usar esse crédito, precisa cobrir o intervalo com recursos próprios.

O levantamento da Roit analisou 65 grupos empresariais e 295 mil fornecedores, que somam R$ 608,8 bilhões em compras anuais. A análise identificou R$ 16,35 bilhões em valores que poderiam não ser recuperados como créditos ao longo de um ano nas situações avaliadas. Essa estimativa não significa uma perda confirmada para todas as empresas: o efeito depende das operações e do cumprimento das obrigações pelos fornecedores.
O prazo para utilização do crédito pode ser afetado por diferenças entre os ciclos de faturamento. O estudo estima atrasos de até 33 dias por esse descompasso e aponta que o intervalo pode chegar a 63 dias quando há inadimplência do parceiro comercial. Para a empresa compradora, isso pode significar manter mais dinheiro parado para sustentar a operação.
O impacto tende a merecer atenção especial em negócios com margens apertadas, prazos longos para receber dos clientes ou grande volume de compras a prazo. Se os créditos demorarem a ser aproveitados, a empresa pode ter menos disponibilidade para pagar salários, fornecedores e outras despesas cotidianas.
Como estimar o efeito dos créditos no caixa
O primeiro passo é entender o calendário real de entradas e saídas, em vez de olhar apenas para o valor total das compras. O gestor deve comparar quando paga o fornecedor, quando recebe dos clientes e quando prevê utilizar o crédito tributário. A diferença entre essas datas ajuda a revelar quanto tempo o caixa poderá ficar pressionado.
Uma análise inicial pode ser feita com dados que a empresa já acompanha. Organize as operações por fornecedor, prazo de pagamento, frequência de compra e participação no custo do negócio. Em seguida, identifique quais parceiros podem representar maior risco de atraso ou de falta de informação sobre o recolhimento.
- Liste os principais fornecedores e o volume de compras associado a cada um.
- Registre as datas previstas de pagamento e recebimento para as operações relevantes.
- Simule o efeito de um atraso no aproveitamento do crédito, sem tratar a projeção como perda certa.
- Compare o resultado com o caixa disponível e com as despesas que não podem ser adiadas.
- Revise as estimativas quando houver novas informações sobre operações e procedimentos.
O cálculo não precisa começar com um modelo complexo. Uma planilha organizada pode ajudar a visualizar os períodos em que há mais pagamentos do que entradas e a testar cenários. Para decisões maiores, a equipe financeira pode trabalhar com a área fiscal ou com o contador para validar premissas e evitar que o mesmo valor seja contado duas vezes.
Split payment e prazos exigem atenção
Outro ponto a acompanhar é o split payment, mecanismo que separa e direciona ao Fisco a parcela de tributos no momento da transação financeira, conforme as regras de implementação. A mudança pode alterar o intervalo em que a empresa administra os valores recebidos e pagos.
Em uma venda a prazo, por exemplo, o recolhimento ligado à operação pode ocorrer antes de a empresa receber integralmente do cliente, conforme a forma de aplicação do mecanismo. Se isso acontecer, a empresa terá de considerar a saída tributária no planejamento, mesmo que parte do dinheiro da venda ainda não tenha entrado.
Durante a transição, também é possível que o momento do pagamento e o do aproveitamento de créditos não coincidam. Por isso, a previsão de caixa deve considerar as regras e os procedimentos aplicáveis a cada operação, em vez de presumir que crédito e pagamento ocorrerão juntos.
O que a empresa pode fazer antes da transição
A preparação envolve contratos, rotinas internas e sistemas. A empresa pode revisar cláusulas comerciais e processos de acompanhamento para esclarecer prazos, responsabilidades e documentos relacionados às operações. Isso não elimina riscos, mas ajuda a identificar pendências com fornecedores com maior antecedência.
Também vale definir quem acompanhará as informações tributárias dos parceiros e como eventuais divergências serão tratadas. A área de compras pode contribuir ao avaliar a dependência de fornecedores específicos, enquanto o financeiro monitora o efeito dos prazos sobre a necessidade de recursos.
O levantamento destaca 31 de dezembro de 2026 como prazo para ajustar sistemas e procedimentos antes da próxima etapa da transição. A CBS começa a integrar o novo modelo em 2027, enquanto a implantação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) seguirá o cronograma previsto. A empresa deve acompanhar as orientações aplicáveis e confirmar os requisitos com seus profissionais responsáveis.
A reforma busca simplificar a tributação sobre o consumo, reduzir a cumulatividade e dar mais transparência à cobrança. A substituição de cinco impostos pela CBS e pelo IBS pretende uniformizar regras e facilitar o aproveitamento de créditos ao longo da cadeia. Para o gestor, porém, o benefício esperado não dispensa a organização do caixa durante a mudança.
Perguntas frequentes
Por que a CBS pode pressionar o caixa?
Porque pode haver um intervalo entre o pagamento ao fornecedor e o momento em que a empresa consegue aproveitar o crédito relacionado à operação. Nesse período, o negócio precisa de recursos para continuar cobrindo suas despesas.
O prazo de 63 dias vale para todas as empresas?
Não. O prazo de até 63 dias é uma estimativa do levantamento para situações em que há inadimplência do fornecedor, e não uma regra igual para todos os casos. O efeito depende dos prazos comerciais e das condições de cada operação.
O valor estimado de R$ 16,35 bilhões representa uma perda certa?
Não. Trata-se de uma projeção dos valores que poderiam não ser recuperados como créditos nas situações analisadas ao longo de um ano. O montante não deve ser interpretado como prejuízo confirmado para cada empresa.
O que fazer primeiro para proteger o capital de giro?
Mapeie pagamentos, recebimentos e créditos esperados, começando pelos fornecedores e operações de maior peso. Depois, use esse diagnóstico para revisar previsões de caixa, procedimentos e condições comerciais.
Comece pelo mapeamento dos prazos e transforme as estimativas em um plano de caixa revisável. Com dados organizados e acompanhamento próximo dos fornecedores, sua empresa pode se preparar melhor para a transição e manter o foco no crescimento.
Fonte: Contábeis
Imagem gerada por inteligência artificial.
Texto produzido com auxílio de inteligência artificial a partir da reportagem original indicada em Fonte.



